sábado, 5 de maio de 2018

Cocaína


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Foto: Google

Precursor do uso terapêutico da cocaína, Freud empregou a droga, em doses ínfimas, no tratamento de um morfinômano. O sucesso inicial da experiência viu-se comprometido pela gravidade do efeito colateral: livre da morfina, o paciente tornou-se dependente da cocaína. 

Cocaína é um alcalóide de fórmula química C17H21NO4, extraído das folhas da coca (Erythroxylun coca), arbusto natural dos altiplanos andinos pertencente à família das eritroxiláceas. Suas folhas são ovaladas ou elípticas; as flores, pequenas e brancas e o fruto, vermelho e brilhante. Muitos povos ameríndios mascavam as folhas da coca para suportar a fome, a sede e o cansaço por longos períodos. O hábito ainda perdura entre as populações pobres de alguns dos países sul-americanos, principalmente a Bolívia. 

Depois de refinada, a cocaína se apresenta na forma de pó branco e cristalino. Em contato com as mucosas, é absorvida e passa a exercer ação tóxica sobre o sistema nervoso central; por isso, é mais freqüentemente consumida por inalação. Com o correr do tempo, a prática pode levar o usuário à perfuração do septo nasal. A droga é também consumida por injeção intravenosa, isolada ou associada à morfina.



EFEITOS E PROBLEMAS


Um dos principais efeitos da cocaína, como de outras substâncias tóxicas, é a euforia, estado de duração variável que combina sensações de poder, segurança e suficiência com eliminação do medo ou ansiedade. Como esses efeitos se dissipam em pouco tempo, apresenta-se a necessidade de usar novas doses. 

De acordo com a freqüência do uso, a substância provoca quadros de toxicidade em diferentes graus. No quadro agudo, decorrente de múltiplas aspirações ou injeções em curto espaço de tempo, pode causar ao usuário disfunções importantes no sistema nervoso central e neurovegetativo, com sintomas como perda de apetite, taquicardia, elevação da pressão arterial, tremores, delírios, alucinações e convulsões. A morte pode ocorrer por colapso do aparelho respiratório. 

O quadro crônico ocorre depois de semanas ou meses de uso moderado mas freqüente. Comporta uma atividade mental delirante, de tipo paranóide, com sintomas semelhantes aos da esquizofrenia. O usuário tem alucinações visuais e táteis nítidas e não raro descreve sensações como a de ser picado na pele, sofrer escoriações ou ter o corpo infestado de parasitas. 

Uma característica que diferencia a cocaína de outras substâncias tóxicas de efeitos análogos é o fato de não suscitar tolerância do organismo. Após a primeira dose, as aplicações seguintes continuam a produzir o mesmo efeito, não sendo necessário o aumento de dosagem para que se produzam as mesmas sensações. Estudos feitos com usuários crônicos demonstram que, após interrupção das aplicações, eles podem retomar o uso da droga na quantidade e freqüência habituais sem entrar em quadro de intoxicação aguda. 

É ainda discutível o fato de a cocaína causar dependência orgânica, quadro que se caracteriza por mudanças significativas das condições funcionais do organismo decorrentes da utilização prolongada de uma substância. A dependência exige continuidade no uso da droga e a suspensão desta acarreta a chamada síndrome de abstinência. Como ocorre com outras substâncias similares, a suspensão do uso da cocaína não provoca o quadro típico de abstinência, mas seus efeitos são mais ou menos equivalentes: o paciente que interrompe de súbito o uso da cocaína apresenta sonolência, fadiga e lassidão, além de aumento do apetite e distúrbios do sono. Tais sintomas desaparecem com a retomada do uso. 

Uma variedade do mesmo entorpecente tornou-se popular entre consumidores de drogas nos últimos anos da década de 1980: o crack, derivado da cocaína mais potente que esta e potencialmente mais perigoso quanto aos efeitos imediatos sobre a conduta do usuário e sobre seu organismo. Extraído da mesma planta, o pó é prensado e consumido por aspiração através de um cachimbo. 

O crack também leva muito mais rapidamente à condição de dependência. Há indícios de que seu consumo, como o de outras drogas, estimule o usuário a práticas anti-sociais ou criminosas. 

O tráfico de cocaína tornou-se um dos negócios mais lucrativos do mundo, viga mestra do crime internacionalmente organizado. Até o final do século XX, a repressão exercida por governos de quase todas as nações e os altos preços da droga não foram eficazes para reduzir seu comércio e consumo.


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