segunda-feira, 9 de julho de 2018

"A maioria dos estudos publicados é falsa".


fonte: Yahoo notícias e fotos
Há alguns anos, dois pesquisadores selecionaram os 50 ingredientes mais utilizados em um livro de cozinha e analisaram quantos deles haviam sido associados a um risco ou benefício em relação ao câncer em diversos estudos publicados em revistas científicas.
A resposta: 40 de 50, uma lista que inclui sal, farinha, salsinha e açúcar. "Tudo que comemos está relacionado com o câncer?", se perguntaram depois, ironicamente, em seu artigo publicado em 2013.
Sua pergunta está relacionada a um problema conhecido, mas persistente no mundo da pesquisa: muitos estudos utilizam amostras que são pequenas demais para alcançar conclusões generalizáveis.
Mas a pressão sobre os pesquisadores, a concorrência entre as revistas e o apetite insaciável dos meios por estudos que anunciem revoluções ou grandes descobertas faz com que estes artigos continuem sendo publicados.
"A maioria dos artigos publicados, inclusive em revistas sérias, é fraca", diz à AFP um dos autores, John Ioannidis, professor de medicina em Stanford, especializado no estudo de estudos.
O pesquisador mostrou em um artigo de 2005 "porque a maioria dos estudos publicados é falsa".
Desde então, diz, só foram feitos alguns progressos.
Algumas revistas exigem que os autores proporcionem seus dados brutos e publiquem previamente seu protocolo. Esta transparência evita que os pesquisadores alterem seus métodos e dados para encontrar um resultado, qualquer que seja. Também permite que outros verifiquem ou "repliquem" o estudo.
Quando voltam a ser feitos, os experimentos raramente levam aos mesmos resultados. Só um terço dos 100 estudos publicados nas três revistas de psicologia mais prestigiosas puderam ser reproduzidos por pesquisadores, em uma análise publicada em 2015.
A medicina, a epidemiologia, os ensaios clínicos de medicamentos e os estudos de nutrição não funcionam muito melhor, insiste Ioannidis, especialmente durante as repetições.
"Nas ciências biomédicas e em outros lugares, os cientistas não se formam o suficiente em estatística e metodologia", acrescenta.
Muitos estudos se concentram em poucos indivíduos, o que faz com que o resultado seja impossível de generalizar a uma população total, já que é pouco provável que os participantes selecionados sejam representativos.
- Café e vinho tinto -
"A dieta alimentar é uma das áreas mais lamentáveis", afirma Ioannidis, e não só pelos conflitos de interesses com a indústria agroalimentar. Os pesquisadores com frequência buscam correlações em enormes bases de dados, sem hipóteses de partida.
Além disso, "medir uma dieta é extremamente difícil", explica. Como quantificar exatamente o que as pessoas comem?
Inclusive quando o método é bom, com um estudo feito de forma aleatória onde os participantes são selecionados ao acaso, a execução às vezes deixa a desejar.
Um famoso estudo de 2013 sobre os benefícios da dieta mediterrânea em relação a doenças cardíacas teve de ser retirado em junho pela prestigiosa revista médica The New England Journal of Medicine, já que os participantes não haviam sido recrutados de forma aleatória; os resultados foram revisados para baixo.
Então, o que escolher na avalanche de estudos publicados todos os dias?
Ioannidis recomenda fazer as seguintes perguntas: É um estudo isolado ou reforça trabalhos existentes? A amostra é pequena ou grande? É um experimento aleatório? Quem o financiou? Os pesquisadores são transparentes?
Estas precauções são fundamentais na medicina, onde os maus estudos contribuem para a adoção de tratamentos que no melhor dos casos são ineficazes e no pior, prejudiciais.
Em seu livro "Ending Medical Reversal", Vinayak Prasad e Adam Cifu citam exemplos terríveis de práticas adotadas sobre a base de estudos que foram invalidados anos mais tarde, como a colocação de stents em uma artéria do cérebro para reduzir o risco de acidente vascular cerebral. Dez anos depois, um estudo rigoroso mostrou que a prática na verdade aumentava o risco de AVC.
A solução requer o ajuste coletivo dos critérios conjuntos para os agentes da pesquisa, não só revistas: universidades, organismos de financiamento públicos, laboratórios. Mas todas estas entidades estão sujeitas à concorrência.
"O sistema não incita as pessoas a irem na direção correta", diz à AFP Ivan Oransky, jornalista cofundador do site Retraction Watch, que cobre as retiradas de artigos científicos. "Queremos desenvolver uma cultura na qual premiemos a transparência".
Os meios têm também sua cota de responsabilidade, pois segundo ele devem explicar melhor a seus leitores as incertezas inerentes à pesquisa científica, e evitar o sensacionalismo.
"O problema é a interminável sucessão de estudos sobre café, chocolate e vinho tinto", se queixa. "Temos que parar".

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Vermes




Nome popular dos seres vivos pluricelulares pertencentes aos filos platelmintos e nematelmintos do reino Metazoa. Apresentam corpos tubulares alongados, que podem ser achatados (platelmintos) ou cilíndricos (nematelmintos). Alguns têm vida livre e vivem no mar, rios ou ambientes terrestres, e outros são parasitas, ou seja, vivem às custas dos animais hospedeiros. Os parasitas causam doenças infecciosas e parasitárias como ascaridíase, amarelão, cisticercose, esquistossomose e teníase ou solitária.
Platelmintos – Dividem-se em três classes – tuberlários, trematódeos e cestódeos – de acordo com o modo de vida (livre ou parasitária). Os tuberlários, como a planária (Dugesia tigrina), são seres de vida livre. Os trematódeos podem ser ectoparasitas (vivem externamente ao hospedeiro), como o Gyrodactylus, que habita as brânquias de certos peixes, ou endoparasitas (vivem e reproduzem-se no interior do hospedeiro). Exemplos de endoparasitas são a Fasciola hepatica, que habita o fígado do carneiro, e o Schistosoma mansoni, que causa a esquistossomose. No ciclo de vida de um trematódeo, os vermes adultos produzem ovos que são eliminados do hospedeiro definitivo (homem) e originam vários estágios larvais relacionados ao hospedeiro intermediário (molusco aquático). Os cestódeos são todos endoparasitas, como as tênias. As formas adultas da tênia produzem a teníase no hospedeiro definitivo (o homem) e as formas larvais são responsáveis pela cisticercose, na qual o homem serve como hospedeiro intermediário.
Nematelmintos – Os nematelmintos podem ter vida livre ou ser parasitas de plantas e animais. Neste caso, os vermes adultos habitam a cavidade intestinal do hospedeiro e produzem ovos, que eliminados pelas fezes contaminam a água e os alimentos. Em seu ciclo de vida não há hospedeiro intermediário. O nematelminto parasita mais conhecido é o Ascaris lumbricoides, a lombriga, que provoca a ascaridíase. Outros exemplos de nematelmintos são o Necator americanus e o Ancylostoma duodenale, que habitam o intestino humano e provocam a doença conhecida como amarelão.

Doenças infecciosas

Processos infecciosos causados por diferentes microrganismos – bactérias , fungos, protozoários , vermes  e vírus  – que penetram, se desenvolvem e se multiplicam no organismo humano. Quando o agente causador é um protozoário ou um verme, a doença infecciosa  é chamada de parasitária.
Segundo seu aparecimento e evolução, as doenças infecciosas  podem ser epidêmicas, endêmicas e pandêmicas. As doenças epidêmicas são aquelas com ocorrência de muitos casos num dado período e com tendência a desaparecer, como o dengue e a cólera. As endêmicas apresentam quantidade significativa de casos em certas regiões, como a malária na Amazônia. E as pandêmicas são as que têm muitos casos espalhados pelo planeta ou continente, como a Aids .
Uma parte das doenças infecciosas pode ser evitada com vacinas específicas e medidas de educação sanitária, como beber água fervida ou clorada e só comer verduras e legumes crus bem lavados.
Segundo o Ministério da Saúde, as doenças infecciosas e parasitárias foram responsáveis por 39.548 óbitos no país em 1995, o correspondente a 5,3% do total de mortes no ano.
Formas de contágio – As doenças infecciosas podem ser transmitidas por contato direto, indireto, por uma fonte comum contaminada ou por vetores (agentes que transmitem os microrganismos). Formas de contato direto são, por exemplo, muco ou gotículas de saliva expelidas ao tossir, espirrar ou falar. O contato indireto dá-se por vias como o uso compartilhado de determinados objetos. Fontes comuns contaminadas podem ser sangue (no caso de uma transfusão sanguínea), água e alimentos. Exemplos de vetores são mosquitos e caramujos. Várias doenças infecciosas têm mais de uma forma de contágio.
Parasitismo – Relação temporária entre seres de espécies diferentes, na qual um deles, o parasita, vive às custas do outro, o hospedeiro. Nessa associação, o parasita obtém alimento através do hospedeiro, que é prejudicado de alguma forma. Os parasitas mais comuns são os protozoários e os vermes. O parasitismo pode ser externo (ectoparasitismo), como piolhos, pulgas e carrapatos, ou interno (endoparasitismo), como protozoários e vermes.


Bactéria

Ser vivo unicelular e microscópico, pertencente ao Reino Monera. Assim como todos os seres deste grupo, é formada por uma célula procarionte (desprovida de membrana nuclear). Por não apresentar o envoltório protetor do núcleo, o material genético (cromatina), constituído por uma única molécula de DNA  (ácido desoxirribonucléico), encontra-se disperso no citoplasma. Apresenta membrana plasmática recoberta e protegida pela parede celular, de consistência gelatinosa. As bactérias causam várias doenças infecciosas . A transmissão pode ser feita pelo ar ou por contato direto (gotículas de saliva ou muco) ou indireto.
As bactérias podem ser classificadas segundo a forma. As esféricas são chamadas cocos; as alongadas em forma de bastão são os bacilos; as espiriladas, espirilos; e as em formato de meia-espiral denominam-se vibriões. Algumas espécies, para melhor desenvolverem as funções de nutrição e proteção, podem apresentar-se em agrupamentos celulares (colônias). Os agrupamentos podem ser aos pares (diplococos), em forma de colar (estreptococos) ou de cacho de uva (estafilococos). Muito resistentes a variações de temperatura e também a agentes químicos, algumas bactérias apresentam filamentos móveis chamados flagelos, para a locomoção. A maioria das doenças causadas por bactérias é tratada com antibióticos, substância produzida por microrganismos (os mais comuns são os fungos) ou sintetizada em laboratório, capazes de impedir o crescimento ou mesmo destruir as bactérias. Porém, o tratamento nem sempre é eficaz, pois elas desenvolvem resistência contra determinados medicamentos, que perdem seu efeito.
Algumas espécies de bactérias podem provocar doenças fatais. É o caso da Staphylococcus aureus (causa infecções de pele) e da Streptococcus beta hemolíticos (causadora da escarlatina), que estimulam a superativação dos linfócitos , os glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo. Ao produzirem grande quantidade de citosinas e óxido nítrico, causam um grave desequilíbrio na composição e circulação sanguínea , que pode resultar na morte do paciente. Este quadro clínico é conhecido como Síndrome da Reação Inflamatória Sistêmica (SIRS). Outros tipos, como a Escherichia coli (causadora de diarréia) e a Salmonella typhi (causadora da febre tifóide), que se alojam na região intestinal, podem atingir a circulação sanguínea e provocar uma infecção generalizada, que também pode levar à morte. Mas a maior parte das espécies de bactéria é benéfica ao homem. Elas são responsáveis, por exemplo, pela fixação do nitrogênio da atmosfera no solo, fundamental para o desenvolvimento das plantas. Também realizam a fermentação necessária para a fabricação de produtos como vinagres e queijos.

Vírus

Ser vivo  microscópico e acelular (não é composto por células) formado por uma molécula de ácido nucléico (DNA ou RNA), envolta por uma cápsula protéica. Apresenta-se sob diferentes formas: oval, esférica, cilíndrica, poliédrica ou de bastonete. Por ser incapaz de realizar todas as funções vitais, é sempre um parasita celular, ou seja, necessita de um animal, planta ou bactéria para multiplicar-se e desenvolver-se. Ao se reproduzir dentro de uma célula, acaba por lesá-la. Na reprodução, qualquer modificação no DNA  provoca uma mutação, gerando novos tipos de vírus.
Grande parte das doenças infecciosas e parasitárias é causada por vírus, como a Aids , a catapora, a dengue, a rubéola e o sarampo. A transmissão pode ser feita pelo ar, por contato direto (gotículas de saliva ou muco) e indireto (utensílios, água e alimentos contaminados ou picada de animais). O tratamento de uma infecção viral geralmente é restrito apenas ao alívio dos sintomas, com o uso de analgésicos e antitérmicos para diminuir a dor de cabeça e reduzir a febre. Há poucas drogas que podem ser usadas no combate de uma infecção viral, pois ao destruírem o vírus acabam por destruir também a célula. Quase todas as doenças causadas por vírus podem ser prevenidas com vacinas.
A febre é um sintoma comum a todas as infecções virais. Outros sinais característicos presentes na maioria das infecções são dor de garganta, fadiga, calafrio, dor de cabeça e perda de apetite. Mas grande parte das doenças apresenta uma sintomatologia própria. Por exemplo, a manifestação de pequenas elevações eruptivas avermelhadas na pele caracteriza a rubéola e a catapora ou varicela. No sarampo, são comuns erupções na mucosa bucal e o surgimento de manchas avermelhadas na pele. A inflamação e o inchaço das glândulas salivares são sintomas específicos da caxumba. Na poliomielite ocorre rigidez da nuca e perturbações físicas que podem causar paralisia e atrofia de certas partes do corpo. Na febre amarela e na hepatite infecciosa viral há náuseas e vômitos.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

FLOR





Flor, órgão reprodutor de certas plantas (Angiospermas), que produz os frutos, os quais, por sua vez, encerram as sementes.

A flor é um ramo terminal que consiste em um talo modificado: o eixo floral ou receptáculo. O eixo floral tem entre um e quatro tipos de apêndices especializados ou folhas modificadas, geralmente dispostos em verticilos nas flores mais evoluídas e em espiral nas mais primitivas. A flor pode ser bissexuada, hermafrodita ou andrógina, se tiver os órgãos dos dois sexos; unissexuada monóica, quando há flores de um sexo num pé e do outro sexo em outro; e assexuada, quando não tem órgãos sexuais.

Numa flor típica, o verticilo externo ou cálice é formado por várias sépalas. O verticilo seguinte, o androceu, agrupa vários estames, que produzem nas anteras o pólen necessário para a reprodução. O verticilo mais interno é o gineceu, formado por vários carpelos, em muitos casos soldados em um pistilo. Cada carpelo contém pelo menos uma placenta, na qual estão os óvulos ou sementes imaturas. Cálice e corola formam em conjunto o perianto. A posição relativa das peças florais é variável. Numa flor hipógina, as sépalas formam o verticilo inferior, seguido, em ordem ascendente, por petálas, estames e pistilos. Numa flor perígina, o cálice envolve o gineceu e as demais peças florais se inserem na borda. Numa flor epígina, a corola é fixada no gineceu e as demais peças florais se encontram na parte superior do ovário.

Angiospermas, nome comum da divisão ou filo que contém as plantas com flor, que constituem a forma de vida vegetal dominante. Pertencem a esse grupo quase todas as plantas arbustivas e herbáceas, a maior parte das árvores, salvo pinheiros e outras coníferas, e plantas mais especializadas, como suculentas, epífitas e aquáticas.

O elemento mais característico das angiospermas é a flor, cuja função é assegurar a reprodução da planta mediante a formação de sementes. Estas são formadas a partir de um óvulo envolvido por um ovário que, conforme cresce a semente fecundada, se desenvolve até converter-se em fruto.

No final de 1998, foram encontrados na China os resíduos fósseis da mais antiga angiosperma que se conhece. Com 140 ou 150 milhões de anos, a planta, que recebeu o nome científico de Archaefructus liaoningensis, pertence ao grupo das angiospermas do período jurássico; tem a mesma idade dos dinossauros e antecede em 25 milhões de anos a primeira planta com flor de que se tinha notícia até então.

Classificação científica: Angiospermas é a denominação comum da divisão Magnoliophyta. O grupo das Angiospermas divide-se em duas classes: Magnoliopsida e Liliopsida, conhecidas como dicotiledôneas e monocotiledôneas.

O gênero Gardenia agrupa várias árvores e arbustos perenifólios cultivados por suas flores atraentes e fragrantes. São espécies nativas de regiões tropicais e subtropicais e costumam ser mantidas em estufas; poucas são bastante rústicas para resistir ao ar livre em lugares de verões quentes.

O jasmim forma parte de um grupo de arbustos e trepadeiras caducifólias e perenifólias de caule lenhoso próprio de regiões temperadas e tropicais. É cultivado por suas flores, atrativas e fragrantes. Gosta de sol e de solos férteis e bem drenados.

A flor da corticeira, árvore também chamada de seibo, é a flor-símbolo do Uruguai. Sua forma semelhante à crista de um galo deu origem ao nome científico da planta, Erythrina cristagalli.

O fruto de uma planta é o ovário maduro e engrossado. O grão de pólen (gameta masculino, transportado da antera de uma flor para o estigma de outra, geralmente por um inseto) germina no estigma, cresce ao longo do estilo e penetra no óvulo, onde pode ser fecundado. Se a fecundação ocorre, o óvulo se transforma em semente e o receptáculo que protege o ovário se avoluma e forma a carne ou polpa do fruto.

A margarida é uma vivaz de crescimento lento; alcança até 20 cm de altura e a flor tem 2,5 cm de diâmetro. Algumas variedades são cultivadas como ornamentais.

A flor é formada por até quatro tipos de folhas modificadas. As sépalas, que envolvem o botão, são as partes mais externas. Em seguida vêm as pétalas, que atraem os polinizadores, tanto pela cor como pelo cheiro segregado por certas glândulas. Mais internamente encontram-se um ou dois círculos de condutos produtores de pólen, que são os órgãos de reprodução masculinos. Os pistilos, formados por estigma, estilo, ovário e óvulo, são as peças mais internas. O carpelo recebe o grão de pólen e, se a fecundação ocorre, forma o fruto.

As plantas com flor se valem do vento, dos insetos, das aves, dos morcegos e outros mamíferos para transferir o pólen da parte masculina para a parte feminina. Muitas espécies vegetais evoluíram em estreita associação com certos animais que asseguram a polinização; na floresta tropical há plantas polinizadas exclusivamente por uma determinada espécie de inseto, ave ou morcego. As abelhas procuram o alimento que as flores oferecem – o doce e açucarado néctar – e o pólen, uma fonte de proteínas, vitaminas e minerais. Quando uma abelha mete a cabeça nas glândulas de néctar na base da flor, o pólen gruda no seu corpo ou nas suas patas traseiras. Quando a abelha visita a próxima flor, o pólen geralmente cai nos órgãos desta última. É assim que se dá a polinização cruzada.

Polinização, passagem do pólen dos estames ou estruturas masculinas da flor para o estigma do pistilo, que é a estrutura feminina. Quando o pólen passa do estame para o estigma da mesma flor, fala-se em autopolinização ou autogamia; a polinização cruzada ou alogamia é a passagem do pólen dos estames de uma flor à outra da mesma planta (geitonogamia) ou a uma planta diferente da mesma espécie (xenogamia).

O vento é o agente mais comum da polinização cruzada (polinização anemófila). As abelhas e outros insetos, os pássaros e os morcegos também são portadores de pólen.


domingo, 20 de maio de 2018

Bioética e Reprodução Humana




        O objetivo da reprodução é a geração de novos indivíduos. Uma questão de extrema atualidade é a caracterização do momento em que o novo ser humano passa a ser reconhecido como tal. Atualmente podem ser utilizados dezenove diferentes critérios para o estabelecimento do início da vida de um ser humano.
As tentativas de realizar procedimentos de reprodução medicamente assistida foram iniciadas no final do século XVIII. Em 1978 estes procedimentos ganharam notoriedade com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, que foi o primeiro bebê gerado in vitro. O Governo Inglês, em 1981, instalou o Committee of Inquiry into Human Fertilization and Embriology, que estudou o assunto por três anos. As suas conclusões foram publicadas, em 1984, no Warnock Report. Neste mesmo ano, nascia na Austrália um outro bebê, denominado de Baby Zoe, que foi o primeiro ser humano a se desenvolver a partir de um embrião criopreservado.
Em 1987 a Igreja Católica publicou um documento - Instrução sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação - estabelecendo a sua posição sobre estes assuntos.

A partir de 1990, inúmeras sociedades médicas e países estabeleceram diretrizes éticas e legislação, respectivamente, para as tecnologias reprodutivas. A Inglaterra, por exemplo, estabeleceu os limites legais para a reprodução assistida em 1991, com base nas proposições do Warnock Report.

No Brasil, Conselho Federal de Medicina, através da Resolução CFM 1358/92, instituiu as Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida, em 1992.

Os aspectos éticos mais importantes que envolvem questões de reprodução humana são os relativos à utilização do consentimento informado; a seleção de sexo; a doação de espermatozóides, óvulos, pré-embriões e embriões; a seleção de embriões com base na evidencia de doenças ou problemas associados; a maternidade substitutiva; a redução embrionária; a clonagem; pesquisa e criopreservação (congelamento) de embriões.

Um importante assunto, de crescente discussão ética, moral e legal é o aborto. Independentemente da questão legal, existe nesta situação um conflito entre a autonomia, a beneficência, a não-maleficência e a justiça da mãe, do feto e do médico. Os julgamentos morais sobre a justificativa do aborto dependem mais das convicções sobre a natureza e desenvolvimento do ser humano do que das regras e princípios.

Outra área bastante complexa é a que envolve casais homosexuais e reprodução. Casais homosexuais femininos podem solicitar que um serviço de reprodução assistida possibilite a geração de uma criança, em uma das parceiras utilizando sêmen de doador. O médico deve realizar este procedimento equiparando esta solicitação a de um casal heterosexual ? Ou deve ser dada uma abordagem totalmente diversa ? A própria questão de adoção de crianças por casais homosexuais tem sido admitida em vários países. A reprodução medicamente assistida pode ser equiparada à legalmente assistida (adoção) ?
 Aspectos Éticos da Tecnologia Médica

  Prof. Carlos F. Francisconi

Os avanços da tecnologia têm propiciado o desenvolvimento de equipamentos progressivamente mais desenvolvidos que tem trazido, na sua maioria, inequívocos benefícios para os pacientes. Por outro lado freqüentemente o avanço tecnológico traz consigo problemas éticos . Isto é facilmente detectado em vários campos da medicina e cito as técnicas de fertilização in-vitro, as alternativas de manipulação genética e os avanços na área dos transplantes como exemplos de áreas que estão provocando grandes discussões éticas nos dias atuais. O avanço da tecnologia não traz somente problemas éticos em nível individual. Como na maioria das vezes estamos tratando de procedimentos complexos, é inevitável que eles se tornem caros. Neste sentido estes avanços nos remetem para uma discussão também relevante do ponto de vista coletivo: princípio da justiça e sua aplicação na alocação de recursos escassos na área da saúde.

Devemos diferenciar a prática médica da pesquisa médica. A primeira representa as intervenções planejadas visando somente o bem estar do paciente ou cliente individual e que apresenta uma razoável expectativa de sucesso. São estas as nossas ações do dia-a-dia: tomamos decisões com relação à melhor estratégia de ação médica baseadas na nossa experiência, que por sua vez está sedimentada no conhecimento adquirido através da leitura de material científico ou do que captamos na nossa educação continuada ao freqüentarmos congressos, seminários cursos e conferências com especialistas de maior saber e experiência. Na maioria das vezes utilizamos práticas médicas validadas, ou seja, práticas que são baseadas em procedimentos empíricos prévios . Quando estes procedimentos não são realizados, estaremos nos referindo a práticas não validadas, que deverão ser evitadas ao máximo, se não rejeitadas ab início a não ser quando somos forçado a improvisar uma solução inovadora para um caso incomum que na maioria das vezes representa apenas a variação de um método já estabelecido. Por outro lado, pesquisa médica pode ser definida como qualquer atividade planejada, visando testar uma hipótese que permita que conclusões sejam tiradas e desta maneira contribuir para um conhecimento mais generalizado. Para que uma pesquisa médica seja caracterizada como tal, ela deverá seguir um determinado ritual que inclui a preparação de um projeto de pesquisa, que deverá ser aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa e deverá seguir as normas brasileiras e internacionais de pesquisas em seres humanos. Portanto nos é vedado que empreguemos em nossos pacientes novas tecnologias que não foram prévia e formalmente pesquisadas e que, por conseguinte, não podem ser rotuladas de práticas médicas validadas.

Seguidamente novas técnicas são testadas em outros centros e nos são oferecidas para serem incorporadas na nossa atividade profissional. Neste momento deveremos questionar se:

a) é seguro o novo procedimento?
b) ele é eficaz?
c) ele representa uma melhora real em relação ao “tradicional”?
d) qual sua utilidade ( relação custo/benefício)?
e) qual a repercussão social do novo procedimento?

Segurança
O quesito segurança deve ser revisado examinando-se os projetos originais de pesquisa publicados em periódicos cientificamente sérios. Qual o número de pacientes examinados, como foram eles selecionados, foram aqueles resultados já reproduzidos por outro grupo de pesquisadores, por quanto tempo foram os pacientes acompanhados para se saber dos efeitos a longo prazo da nova técnica ( se aplicável) ? São estas algumas das perguntas que deveremos fazer antes de introduzir e aceitar um novo procedimento como rotina.

Na situação de tomarmos a iniciativa de testarmos um nova técnica como deveremos proceder? Em primeiro lugar preparar um projeto de pesquisa de boa qualidade. Caso não exista experiência prévia com o método proposto cabe primeiramente um projeto que teste o efeito da nova intervenção em animais; somente após definidos os padrões de segurança de utilização do novo procedimento poderá um projeto de pesquisa que teste sua eficácia em humanos ser encaminhado para avaliação de um comitê de ética em pesquisa.

Eficiência e melhora em relação ao “tradicional”
A eficiência do novo método deverá ser avaliada pelos estudos clínicos em que esta hipótese tenha sido testada. Freqüentemente em primeiro lugar são publicados relatos de caso que evidentemente não podem ser aceitos como evidência de que a nova técnica é eficiente. Devemos avaliar os estudos controlados que podem ser abertos ou fechados randomizados. Os primeiros se justificam em fases iniciais, quando queremos avaliar segurança e já ter uma idéia da eficiência do método. Para se saber da sua real eficiência é essencial estudos controlados bem feitos quando a nova técnica será comparada com a já disponível. Para que um novo procedimento seja incorporado não basta que diferenças “estatisticamente significantes” sejam os padrões de referência para a sua incorporação na nossa rotina médica. O seu custo direto e indireto representa um valor aceitável em relação ao tradicional? Algumas vezes uma tecnologia de custo inicial alto torna-se “barata”, quando analisamos os custos envolvidos com aquela doença sem se utilizar a tecnologia inovadora. Como exemplo desta situação pode-se citar os transplantes renal e hepático. Existem evidências em outros países que tanto o tratamento dialítico a longo prazo como o atendimento do hepatopata grave com múltiplas internações pelas complicações clínicas que lhe são próprias, são mais caras para o sistema de saúde que o transplante. Estudos que avaliassem os impactos médico e econômico de novas tecnologias deveriam ser prioritários nas nossas pós-graduações para que tenhamos dados brasileiros consistentes com relação às suas incorporações na nossa prática médica.

Os dias de hoje também trazem um outro tipo de problema gerador de custos altos no exercício da profissão: a chamada medicina defensiva por vezes está pressionando os médicos a utilizarem procedimentos tecnologicamente complexos, que numa situação clínica normal não seriam necessariamente empregados. Vários serviços de emergência nos Estados Unidos foram fechados por não poderem arcar com os custos altíssimos de uma medicina defensiva levada, talvez, ao seu exemplo mais dramático.

Utilidade
A nossa preocupação primeira sempre deve ser o bem do paciente. Na literatura bioética esta preocupação está incorporada dentro do chamado princípio da beneficência. É claro que ao buscarmos o bem algumas vezes provocamos de maneira não intencional dano aos nossos pacientes. O termo utilidade refere-se a relação risco ou dano/ benefício inerente ao ato médico.

Os fatores relacionados ao numerador da relação podem ser dependentes do método ou do operador . Experiências em animais e estudos controlados já nos darão uma idéia dos riscos relacionados com o procedimento propriamente dito. A variável humana da relação nos preocupa sobremaneira neste momento. Observamos que técnicas complexas estão sendo realizadas por alguns profissionais, que não investiram o seu tempo num treinamento formal que os habilite a utilizar a nova técnica com competência. Por outro lado existe uma pressão muito forte por parte da indústria de equipamentos médicos para que novos instrumentos, ainda não suficientemente testados, sejam incorporados à rotina dos centros de diagnóstico e tratamento. Nos preocupa igualmente neste momento o que está ocorrendo com os métodos terapêuticos videoendoscópicos. A colecistectomia por via videolaparoscópica por vias tortuosas, uma vez que foi incorporada à prática médica sem maiores estudos controlados em centros científicos universitários sérios, tornou-se o procedimento de escolha para a retirada da vesícula biliar. Será que podemos dar o mesmo voto de confiança para as outras técnicas vídeolaparoscópicas como para correção de hérnias ou para cirurgias oncológicas, para citar dois exemplos. Nos Estados Unidos, estudos mostram que o método laparoscópico para a correção de hérnias inguinais representa um aumento de 40 a 60 % do custo em relação ao tratamento tradicional. Não se sabe, por outro lado, se um retorno mais precoce ao trabalho tornaria irrelevante este aumento de custos diretos e tão pouco se sabem os seus resultados a longo prazo: como se compara a recurrência de hérnias ou a tolerância do organismo ao corpo estranho colocado na região inguinal? De novo, não temos informações brasileiras com relação a estas variáveis.

Repercussões sociais
Ao introduzir um novo procedimento médico um outro tipo de consideração deve também ser feita. Quais as repercussões sociais do novo método? Podemos examinar esta questão à luz do princípio da justiça. Será o bem proveniente da nova técnica empregada de maneira igualitária em toda a população ou será empregada uma estratégia de mercado em que somente os mais abastados, que podem por ela pagar, terão acesso ao novo bem. É a meu ver eticamente incorreto usar a população pobre para adquirir a habilidade com uma nova técnica, distribuindo dentro deste universo um maior valor agregado de riscos e danos dentro da curva de aprendizado de uma nova tecnologia, para a partir do momento da competência adquirida passar a oferecê-la somente aos que podem por ela pagar. Também devemos ter em conta que os recursos para a gestão da saúde de qualquer nação são finitos. Isto deve sinalizar de maneira bem clara que a prática da medicina baseada em conhecimentos clínicos sólidos e na valorização correta dos achados de história e exame físico são insubstituíveis para o exercício profissional realizado de uma maneira custo-eficiente.

Acredito que a preparação de profissionais competentes, com tempo para atender seus pacientes de maneira adequada e remunerados de maneira mais digna representa o melhor investimento da nação para diminuir os custos da saúde. Neste contexto uma rede de atendimento primária eficiente, com alto grau de resolutividade, permitiria que somente chegasse aos centros médicos mais avançados casos mais complexos em que o uso da tecnologia médica, tanto a tradicional como a mais moderna, está indicada para resolve-los da maneira mais eficiente possível.

O futuro também nos reserva algumas inquietudes com relação ao impacto da informática na prática. O uso de banco de dados e a rotina de identificar o paciente à imagens radiológicas endoscópicas e patológicas de seus exames cria riscos potenciais com relação a confidencialidade e a privacidade da informação médica. Devemos nos preocupar em criar senhas que controlem o acesso a este tipo informação privilegiada e, também, ao usarmos nosso material iconográfico, como ilustração científica, não permitir que nossos pacientes sejam identificados.

Como conclusão é importante enfatizar que os novos tempos que vivemos já estão exigindo que os profissionais da área médica sejam competentes não somente nas áreas cientifica e tecnológica. A competência ética é uma necessidade atual e provavelmente tornar-se-á progressivamente mais necessária a medida que os novos conhecimentos científicos e tecnológicos evoluírem. As nossas sociedades corporativas não podem se omitir desta realidade. Elas deverão se preocupar tanto com a qualidade dos egressos das Faculdades de Medicina, bem como da valorização do título de especialista, mantendo um alto princípio de qualificação profissional dos mesmos como com o oferecimento de centros de treinamento qualificados e de educação continuada que contemple o avanço científico, tecnológico e ético da prática médica.

 Início da Vida Humana
  
A seguir são apresentados alguns dos critérios utilizados para estabelecer o início da vida de um ser humano.
Critério Início da Vida
Celular Fecundação
Cardíaco Início dos batimentos cardíacos (3 a 4 semanas)
Encefálico Atividade do tronco cerebral (8 semanas)
Neocortical Inicio da atividade neocortical (12 semanas)
Respiratório Movimentos respiratórios (20 semanas)
Neocortical Ritmo sono-vigília (28 semanas)
"Moral" Comunicação (18 a 24 meses pós-parto)

O critério baseado na possibilidade de “comportamento moral”, é extremamente controverso, mas defendido por alguns autores na área da Bioética.


A importância das bactérias



As bactérias têm uma função ecológica de fundamental importância para a manutenção de vida em nosso planeta. Destacam-se, neste caso, as bactérias decompositoras ou saprófitas, as que vivem em mutualismo com outros seres como as que associam-se a leguminosas ou a ruminantes, além das espécies que têm importância em vários campos industriais e na agricultura.
Portanto, vários motivos justificam o fato de o mundo bacteriano se revestir da mais alta importância para a humanidade. A microbiologia, ciência que estuda os microorganismos, permite a familiarização necessária com esse grupo microscópico e oferece condições para o aprimoramento dos conhecimentos nos mais diversos campos da ciência.
 Doenças bacterianas

Salmoneloses

 Salmoneloses humanas são infeções causadas por bactérias do gênero Salmonella. Possuem o antígeno ou o somático ( endoloxina ), antígeno N ou flagelar e em algumas espécies o antígeno de virulência. São classificados em 2200 sorotipos, com base na combinação dos antígenos O e H
Fagotipagem, padrão de sensibilidade aos antimicrobianos e recentemente, técnicas de biologia molecular tem-se mostrado úteis aos estudos epidemiológicos particularmente na definição de cepas responsáveis por surtos epidêmicos.

Epidemiologia

A transmissão das Salmoneloses ocorre principalmente por via indireta através de água e alimentos contaminados pelas fezes de Homens e animais contaminados. A contaminação fecal dos reservatórios hídricos relaciona-se com a disseminação da Salmonella cujo reservatório é o Homem infecta
do. Porém, a melhoria a melhoria das condições sócio-economicos em algumas regiões contribui diretamente na redução na incidência dessas infeções.      
A transmissão inter humana, que ocorre através das mãos de fômites, adquire importância cresce em locais como hospitais e creches. Existem inúmeros relatos de surtos epidêmicos de salmonelose em berçários e enfermarias pediátricas, especialmente pelo sorotipo  Salmonella typimurim.
Portanto deve-se salientar a necessidade dos cuidados de higiene individual e detecção precoce de portadores, principalmente em manipulares de alimentos e profissionais que lidam com crianças institucionalizadas.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Com relação ao hospedeiro, algumas condições ou doenças aumentam sua suscetibilidade: neutralização do PH gástrico( acloridria , antiácidos e bloqueadores H2), redução no tempo de esvaziamento gástrico(vagatomia e gastroenteroanastomoses), gastrectomias extremos de idade, (menores de 05 e maiores de 50 anos), desnutrição, deficiências na imunidade celular,( leucemia, linfomas, corticoterapia e AIDS), doenças intestinais ( doenças inflamatórias crônicas e encoplasias), e doenças hemofílicas ( anemia talciforme, malária e outras hemoglobinopatias).
Os principais quadros clínicos são gastroenterocolites, febre tifóide, bacteriemias, infeções estraintestinais localizadas e o portador crônico ( intestinal ou urinário).

BACTERIEMIAS E SEPTICEMIAS

As salmonellas podem invadir a corrente sangüínea e produzir septicemias ou bacteriemias de duração variável, principalmente em portadores de Síndrome de Imunodeficiência Adquirida.
As bacteriemias manifestam-se como febre de origem indeterminada. Em ambos o diagnostico é possível pelo isolamento de agente em hemocultura. Cerca de 10% evoluem com infeções localizadas.

 FEBRE DA MORDEDURA DE RATO
Mordeduras ocasionadas por ratos e outros roedores são freqüentes, produzindo as vezes mutilações graves, normalmente entre crianças e indivíduos idosos. Relacionam-se as seguintes infecções que decorrem das agressões desses animais: Sodoku ( do japonês só, rato; veneno) causada peloSpirillum minus, bactéria na orofaringe de roedores,febre de haverhill, determinada pelo Streptobacillus moniliformis e a pasteurelose ocasionada pela pasteurela multocida. Também a Leptospirose pode suceder a mordedura.  A peste (Yersinia pestis) deve ser considerada, muito    embora a transmissão habitual seja pelo vetor que é a pulga própria do rato.
Infeções em seguida à mordedura de rato são comuns em áreas urbanas de pouca higiene e com pessoal de laboratório que utiliza animaizinhos de experimentação (camundongos brancos, hanster) está sujeito a contrai-las também. Alem da mordedura, alimentos contaminados por roedores podem ser veículos de transmissão. A febre de Haverhill, por exemplo, tem sido transmitida por leite cru contaminado.
As manifestações clínicas podem incluir febre, cefaléia, vômitos, calafrios, mialgias, exantemas linfonodopatias, altralgias com derrames articulares e ulceração no local da mordedura. Como complicações arrolam-se endocardite, pneumonia, pericardite, infartos sépticos e abscessos.
O diagnóstico pode ser sugerido por contagem elevada de glóbulos brancos com desvio à esquerda e eventualmente trombocitopenia. O diagnóstico de certeza se procede por cultura do sangue, do tecido gânglio ou pesquisa em campo escuro, do material de lesão: inoculação em animal de laboratório e provas sorológicas são também recursos diagnósticos.
Para tratamento a penicilina é a droga geralmente utilizada.
Para a prevenção de tais infeções recomenda-se cuidadosa lavagem com bastante água e sabão no local da mordedura, mais a prescrição médica . Deve ser considerada a situação imunitária em relação ao tétano. Quando a raiva for prevalente em outras espécies animais da região e a agressividade do roedor for incomum deve-se pensar, também na imunização contra essa doença.

 ÚLCERAS

 Entre metade e um terço da população mundial é portadora da bactéria Helicobacter pylory, uma bactéria lenta que infecta alguns estômagos e pode provocar úlceras e câncer neste local.


quinta-feira, 17 de maio de 2018

BIOLOGIA CELULAR



Introdução a Biologia Celular
A Biologia Celular (antiga Citologia) é a parte da Biologia que estuda todas as organelas celulares e seus comportamentos. Procura diferenciar as células tanto animais como vegetais, observando também as grandes semelhanças.
Histórico
1590: Invenção do microscópio pelos holandeses Francis e Zacarias Janssen, fabricantes de óculos. Seu microscópio aumentava a imagem de 10 a 30 vezes e foi usado pela primeira vez para observar pulgas e insetos.
1665: Robert Hooke, em eseu trabalho Microgafia, relatou pequenas cavidades ("cells") em cortes de cortiça, de onde se originou o termo célula.
1674: Leeuwenhoek observou diversas estruturas unicelulares: espermatozóides de peixes, hemácias. Um dos maiores colecionadores de lentes da época, foi o primeiro a observar os micróbios.
1831: Robert Bown pesquisando células de orquídeas, descreveu o núcleo celular.
1838 - 1839: Schwann emitiram a Teoria Celular: "Todos os seres vivos (animais e vegetais) são formados por células."
1858: Virchow emitiu o aforismo ominis cellula et cellula — toda célula provém de outra preexistente.
1962: Watson e Crick, estabeleceram o modelo da molécula do DNA, recebendo, em função disso, o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.
Tamanho e formas das células
As dimensões das células variam de espécie, contudo a maioria tem tamanho inferior ao do poder de resolução do olho humano. Em geral, as células oscilam entre 0,1 mícron e 1mm.
As células podem ser:
- Microscópicas: a absoluta maioria.
- Macroscópicas: Alga Nitella, fibras de algodão, células de urtiga, fibras de linho. Os exemplos são poucos numerosos. A forma é muito variada.
Leis Celulares
Lei da constância do volume celular ou lei de Driesch
O volume é constante para todas as células de um mesmo tecido, em todos os indivíduos da mesma espécie e mesmo grau de desenvolvimento (ou seja, mesma idade).
De acordo com essa lei, o volume celular independe do tamanho do indivíduo. De fato, analisando-se células hepáticas de um anão e de um gigante, pode-se verificar que, nos dois casos, o volume das células é o mesmo. Isso significa que a diferença no tamanho dos órgãos deve-se ao número de células que, no gigante, é muito maior. A lei de Driesch não se aplica às chamadas células permanentes.
Lei de Spencer
Segundo Spencer, a superfície de uma célula varia de acordo com o quadrado da dimensão linear e o volume com o cubo da mesma.
Sepencer imaginou uma célula cúbica que, inicialmente, possuía areste de 1 mícron. Calculando a superfície e o volume do cubo temos:




I=
S = 6a²
>
6(1)² = 6 u²
V = a³
>
(1)³ = 1u³




Se essa célula crescer e a aresta passar a 2 mícrons, superfície e volume são diferentes.




II=
S = 6a²
>
6(2)² = 24u²
V = a³
>
(2)³ = 8u³




Note-se portanto, que enquanto a superfície aumentou 4 vezes, o voume aumentou 8 vezes. Esse aumento desproporcional do volume faz com que a célula tenha um excesso de citoplasma, que a força a entrar em divisão celular.
A Lei de Spencer é um fator mitógeno (leva a célula à divisão).
Classificação de Bizzozero
Conforme a sua duração no organismo, as células podem ser classificadas em:
Células lábeis: células dotadas de ciclo vital curto. Continuamente porduzidas pelo organismo, permitem o crescimento e a renvação constante dos tecidos onde ocorrem. Exemplos: glóbulos brancos (leucócitos), glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e células epiteliais (revestimento).
Células estáveis: células dotadas de ciclo vital médio ou longo, podendo durar meses ou anos. Produzidas durante o período de crescimento do organismo essas células só voltam a ser formadas em condições excepcionais, como na regenração de tecidos (uma fratura óssea, por exemplo). Dentre as células estáveis, podemos citar: osteócitos (ósseas adultas), hepatócitos (células do fígado), células pancreáticas, musculares lisa etc.
Células permanentes: células de ciclo vital muito longo, coincidindo, geralmente, com o tempo de vida do indivíduo. São produzidas apenas durante o período embrionário. Na eventual morte dessas células, não há reposição, uma vez que o indivíduo nasce com o número completo e necessário de suas células permanentes. Essas células simplesmente aumentam de volume (exceção à lei de Driesch), acompanhando o crescimento do indivíduo. Como permanentes, podemos citar as células nervosas (neurônios) e as células musculares estriadas.
Observação de Células
Os instrumentos que permitem uma visualização da célula são ditos microscópios. Podemos observar as células:
- In vivo: observação de células em seu estado natural.
- Supravital: observação da célula após tratamento com substâncias químicas que não decomponham as células, deixando-as vivas.
- Post-mortem: observação de células fixadas, isto é, substâncias que provocam a morte da célula, sem perda de sua arquitetura normal.
Geralmente, após fixadas, as células são coradas.
- Corantes: substâncias portadoras de grupod químicos coloridos, utilizados somente em microscopia óptica, que identificam determinada estrutura celular.
Principais Corantes
- DNA - Feulgem
- Verde Janus Beta - mitocôndrias
- Hematoxilina - centríolos, retículos endoplasmático
- Sais de Ag+, Os, U - complexo de Golgi
- Reativo de Schiff - polissacarídeos (técnica de PAS)
- Sudam III - gorduras
Níveis de organização celular
O surgimento da célula, como se a conhece, resulta de um processo de transprmação que durou milhões de anos.
No início desse processo,estão os primeiros seres vivos, que passaram a desenvolver emcanismos, cada vez mais eficientes de captação, armazenamento e liberação de energia, para realizar sua atividades. Ainda há seres vivos formados por apenas uma célula e também alguns que não são formados por células, chamados vírus.
Vírus
Não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação.
Não possuem enzimas e, portanto, nem metabolismo próprio, necessário à formação de novos vírus. Então, são parasitas intracelulares obrigatórios, formados apenas por um dos ácidos nucléicos (DNA e RNA), envolvido por um revestimento protéico.
Os vírus que atacam os animais não atacam as células vegetais e vice-versa. Os vírus das bactérias são chamados bacteriófagos ou, simplesmente, fagos.
Vírus (do latim — veneno): identificados em 1892 por Ivanovitch (botâncio russo) quando pesquisava folhas de fumo. Os vírus quando fora de organismos, possuem a forma de crisais (matéria, bruta). Voltam à atividade normal quando introduzidos em organismos.
Protocarontes (Reino Monera)
(Sem envoltório - carioteca)
Pleuropneumonias ou micoplasma (PPLO)
Microogarnismos unicelulares patogênicos são as menores e mais simples células conhecidas atualmente (0,125 a 0,150 mícrons de diâmetro). Apresentam metabolismo próprio e são agentes infecciosos de diversos animais.
Ricketsias
Microorganismos patogênicos e agentes infecciosos intracelulares muito pequenos (0,3 a 0,5 mícrons de diâmetro), são causadores de várias doenças no homem.
Semelhante às bactérias, considerados como intermediários entre os vírus e elas.
Bactérias
Seres unicelulares microscópicos, isolados ou coloniais, envontradas em todos os ambiente: água, solo, ar e orgânico. A maioria de vida libre e heterotrófica, muitas exercem importante papel no ciclo do nitrogênio na natureza.
Outras, no entanto, são agentes patogênicos, causando numerosas infecções no homem, com tuberculose, peneumonia, lepra, meningite, tétano e outras.
Eucariontes
Essas células têm duas partes bem distintas: o citoplasma, envolvido pela membrana plasmática, e o núcleo, envolvido pela carioteca.
Membrana Plasmática
Conceito
É uma fina película, invisível ao microscópio óptico (MO) e visível ao microscópio eletrônico. De contorno irregular, elástica e lipoprotéica, apresenta um caráter seletivo, esto é, atua "selecionando" as substâncias que entram ou saem da célula, de acordo com suas necessidades.
A membrana plasmática é conhecida também como citoplasmática, celular ou plasmalema.
Características
- Ocorre em todas as células animais e vegetais.
- Tem 75 Angstron de espessura.
- Visível apenas ao microscópio eletrônico.
- Tem composição química lipoprotéica (predominante).
- Possui capacidade de regeneração (sofrendo pequena lesão, é capaz de recompor a parte perdida antes qu o citoplasma extravase).
- Permeabilidade seletiva.
Estrutura
Em 1954, Dawson e Danielli criaram um modelo que sugere a existência de quatro camadas moleculares: duas externas, constituídas de proteínas, envolvendo duas camadas iternas, formadas de lipídios.
Em 1972, Singer e Nicholson, baseados em informações acumuladas com as pesquisas de outros cientistas, elaboraram, para a estrutura da membrana, um novo model, chamado mosaico fluido, hoje aceito por todos os autores. Segundo esse modelo, três substâncias participam da estrutura da membrana: lipídios, proteínas e uma pequena fraça de glicídios. Por isso, o nome mosaico. Os lipídios são principalmente fosfolipídios e colesterol; as proteínas são do tipo globular e os glicíios, pequenas cadeias com até quinza unidades de monossacarídeos. Algumas proteínas da membrana teriam papel enzimático, podendo, inclusive, alterar a sua forma e, assim, abrir ou fechar uma determinad passagem, de maneira a permitir ou impedir o fluxo de certas substâncias. Além do papel de "portões", exercido por algumas protéinas, as moléculas presentes na membrana estariam em constante deslocamento, conferindo à estrutura intenso dinmismo. Daí serem chamadas de mosaico fluido.
Observação: os modelos de membranas propostos são panas teóricos; o único fato que se tem certeza é que, ao ME, a membrana celular é trilaminar.
Ao microscópio eletrônico, em cortes extrmamente finos, a membrana plasmática apresenta uma estrutura tríplice, sendo constituída por duas faixas densas, cada qual com aproximadamente 20 angstrons de espessura, e uma faixa central clara com 35 Angstrons de espessura. A essa estrutura tríplice deu-se o nome de unidade de membrana.
Unidade de membrana de Robertson
A membrana celular também reveste estruturas celulares.
- carioteca
- lisossomos
- complexo de golgi
- cloroplasto
- mitocôndria
- retículo endoplasmático
Todas as estruturas acima são formadas por membranas idênticas à membrana plasmática.
Propriedades da membrana
Decorrentes das proteínas:
baixa tensão superficial;
— resistência mecânica;
— elasticidade
Decorrentes dos lipídios:
— alta resitência elétrica;
— alta permeabilidade a substâncias lipossolúveis.
Especializações da membrana
Na membrana celular existem estruturas especializadas em aumentar a absorção de substância e a aderência entre as células ou para melhorar movimentos celulares. Algumas especializações são microvilosidades, desmossomos, interdigitações, cílios e flagelos.
Microvilosidades — dobrs da membrana plasmática na superfície da célula, voltadas para a cavidade do intestino. Calcula-se que cada célula possua em média 3.000 microvilosidades.
Como conseqüência, há um aumento apreciável da superfície da membrana em contato com o alimento. Isso permite, por exemplo, uma absorção muito mais eficiente do alimento ingerido.
Desmossomas (Macula Adhaerens) — aparecem nas superfícies de contato das células que estão intimamente unidas. Têm a finalidade de aumentar a coesão do tecido, mantendo as células firmemente unidas.
Verificou-se ao microscópio eletrônico que, ao nível dos desmossomos, as membranas aparecem mais espessas, em forma de linhas densas escuras. No local desse espessamento no citoplasma de cada célula, há um acúmulo de material granuloso. Desse local, irradiam-se microfibrilas para o citoplasma, a curta distância. Essas microfibrilas, ou tonofibrilas, são compostas por tonofilamentos. Entre as microfibrilas das duas células. A metade de um desmossomo é chamado hemidesmossomo.
Interdigitações — nas células epiteliais, com as que revestem a nossa pele, a membrana apresenta conjuntos de saliências e reentrâncias, denominadas interdigitações, que possibilitam o encaixe entre elas.
Parede celular
Na célula vegetal, exite, por fora da membrana plasmática, um reforço externo, formado, geralmente, por celulose. A parede celular não existe nas células dos animais. Nos fungos, a parede celular é formada de quitina.
Observação: nas células animais encontramos um envoltório externo chamado glicocálix, formado pela presença de glicídios presos nas proteínas e nos lipídios, que se tornam glicoproteínas e glicolipídios, respectivamente. Essas coberturas recebem o nome de glicocálix e são responsáveis pela união de células e pelo reconhecimento de células estranhas ou microorganismos estranhos.
Transportes pela membrana
Transporte em massa
Endocitose
As endocitoses compreendem os processos através dos quais a célula adquire, do meio externo, partículas grandes ou macromoléculas que, normalmente, não seriam absorvidas através do processo de permeabilidade seletiva, com a seguir:
Nos processos de endocitose, a membrana plasmática deforma-se, projetando-se ou invaginando-se. Há dois tipos de endocitose: fagocitose e pinocitose.
Fagocitose
Do grego phagein = comer e kytos = celula, corresponde à inclusão de partículas sólidas pela célula, através de emissão de pseudópodos.
Esse processo é imprtante, não só para a nutrição da célula, com também para a defesa. Os protozoários, por serem unicelulares, nutrem-se por esse processo. Um exemplo de fagocitose destinada à defesa são os glóbulos brancos (ou leucócitos), que fagocitam bactérias ou elementos prejudiciais ao organismo. Quando os leucócitos ou glóbulos brancos morrem, no local onde combatem as bactérias, forma-se o pus.
Pinocitose
Do grego, pinos = beber ou sorver e kytos = célula, é o processo mais comum de ingestão de de substâncias alimentares muito pequenas ou gotículas de líquidos. Ocorre com invaginação da membrana plasmática de célula. Quando a membrana "estrangula" essa invaginação, forma-se uma vesícula no interior da células chamada pinossomo.
Cromopexia
Fenômeno pelo qual certas células englobam moléculas coloridas, como a hemoglobina, que é vermelha.
Exocitose ou clasmatose
Processo de eliminação de produtos para o esterior da célula. São produtos que estão no nterior de vesículas, que se desfazem na superfície da membrana, por um mecanismo inverso ao da endocitose. Corresponde à defecação celular.
Transportes por permeabilidade
A célula encontra-se em constante troca de substâncias entre o seu meio externo e interno. Apenas as substâncias necessárias devem entrar, enquanto as substâncias necessárias devem entrar, enquanto as substâncias indesejáveis devem sair. Esse controle ou seleção é feiot pela membrana que, dentro de certos limites, colabora para manter constante a composição química da célula. Por isso, costuma-se dizer que a membrana possui permeabilidade seletiva.
As característias da pereabilidade seletiva é:
Não passam através da membrana:
- proteínas
- polissacarídeos
- lipídeos complexos
Passam através da membrana
- água
- sais minerais
- álcool
- glicose
- aminoácidos
- O2 e CO2
As substânicas que passam através da membrana celular sofrem dois tipos principais de passagem: transporte passivo e transporte ativo.
Transporte passivo
O transporte passivo pode ser feito, principalmente, através de duas formas: transpoirte passivo por difusão e transporte passivo por osmose.
Difusão passiva: quando duas soluções que apresentam concentrações diferentes de soluto encontram-se separadas por membrana idêntica à membrana plasmática, observa-se uma passagem de substâncias do meio mais para o menos concentrado, até que as concentrações se igualem. Essa passagem de soluto ou até de solventes no sentido de igualar as concentrações denomina-se difusão. No caso da célula, várias substâncias entram e saem por difusão. A ocncentração de oxigênio no interior da célula, por exemplo, é sempre menor do que no meio externo, pois o oxigênio é continuamente gasto no processo de respiração celular. Esse mesmo processo produz gás carbônico, de forma que a concentração desse gás no interior da célula é maior do que do lado de fora. É fácil concluir que, por difusão, Oxigênio está sempre entrando na célula e Gás Carbônico, saindo. Difusão é o movimento das moléculas do soluto e do sovente a favor de um gradiente de concentração, no sentido de igualar suas concentrações.
Por osmose: a osmose é um caso especial de difusão. Nesse processo, ocorre um fluxo espontâneo apenas de solvente, do meio menos concentrado em soluto (hipotônico) para o meio mais concentrado em soluto (hipertônico).
Portanto, na osmose, o solvente desloca-se de node existe em maior quantidade para onde existe em menor quantidade. Uma vez estabelecido o equilíbrio, passará a mesma quantidade de água nos dois sentidos. Se a membrana for permeável também aos solutos, sua passagem obedecerá ao mesmo princípio.
Classificação das soluções
— Isotônica: a solução tem a mesma concentração que outra.
— Hipotônica: a solução é menos concentrada do que outra.
— Hipertônica: a solução é mais concentrada do que outra.
Efeitos da osmose em células animais e vegetais
Glóbulos vermelhos colocados em solução de baixa concentração (hipotônica) ganham água e acabam por romper a membrana plasmática (hemólise). Se colocada em solução hipertônica, perde água por osmose e murcha, ficando com a superfície enrugada ou crenada: o fenômeno é chamado crenação.
As células vegetais, quando imersas em soluções fortemente hipertônicas, perdem tanta água que a membrana plasmática se afasta da parede celular, acompanhando a redução do volume interno. Esse fenômeno é denominado plasmólise e as células ensse estado são chamadas de plasmolisadas. Se for mergulhada a célula em meio hipotônico, ela volta a absorver água, recuperando, assim a turgescência (torna-se novamente túrgida — cheia de água), fenômeno denominado deplasmólise. A existência da parede celular geralmente impede o rompimento da membrana plasmática da célula.
Transporte ativo
Transporte ativo é o processo pelo qual uma substância desloca-se contra um gradiente, gastando energia da célula. O sódio e o potássio sofrem esse tipo de transporte.
Tipos
Bomba de sódio: nesse tipo de transporte, a célula desloca o sódio do líquido intracelular para o líquido extracelular, no intuito de manter sua integridade. Uma célula normal mantém uma tonicidade compatível com a vida, se tiver energia para bombear o sódio para fora do líquido intracelular. Se faltar energia, a célula acumula sódio no líquido intracelular, há entrada de água e conseqüentemente edema intracelular.
Bomba de potássio: uma célula saida precisa captar potássio parado líquido extracelular para o líquido intracelular e, nesse processo, gasta energia contra o gradiente de concentração.
Hialoplasma ou citoplasma fundamental
Também chamadio de matriz citoplasmática, é um material viscoso, amorfo, no qual estão mergulhados os orgânulos. Quimicamente, o hialoplasma é contituído por água e moléculas de proteína, formando um colóide.
Obeservação: chamamos de citoplasma todo material conpreendido entre a membrana plasmática e a carioteca. A abundância de água no hialoplasma facilita a distribuição de substâncias por difusão, como também a ocorrência de inúmeras reações químicas.
Componentes do Hialoplasma
Em observações ao ME, o hialoplasma é um meio heterogêneo que apresenta filamentos, estruturas granulares e microtúbulos.
Estruturas filamentosas
Tonofilamentos: filamentos constituídos de queratina, participando na formação dos desmossomos.
Miofilamentos: filamentos característicos de células contráteis. Apresentam 60 angstrons de diâmetro, com capacidade contrátil, auxiliando em movimentos ameboidais. Ex.: actina e miosima.
Estruturas granulares
Grânulos de glicogênio e gotículas de gordua são encontrados em células animais.
Microtúbulos
De constituição química protéica. Quando a célula entra em divisão celular, os microtúbulos agrupam-se, formando o fuso mitótico ou acromático, que desloca os cromossomos para os pólos celulares.
Propriedades do Hialoplasma
Sendo um colóide, a consistência do hialoplasma pode variar, passando de gel ou bastante denso a muito fluido ou sol.
Em muitas células, a porção mais periférica do hialoplasma, o ectoplasma, fica no estado gel (plasmagel). Já a porção mais interna, o endoplasma, fica no estado sol (plasmassol).
Tixotropismo - mudança de sol para gel ou vice-versa.
O citoplasma é meio tixotrófico no qual as transformações de sol para gel permitem que determinadas células possuam movimentos conhecidos com ameboidais.
Em certas células, como macrófagos, leucócitos e amebas, observa-se um moviemnto do hialoplasma (plasmassol) em determinada direção; logo em seguida, o ectoplasma, que é gel (plasmagel), muda para plasmassol, dando origem ao pseudópodo. Na seqüência, esse ectoplasma volta ao estado gel, dando consistência ao pseudópodo formado.
Movimento Browniano
Micelas são as partículas coloidais em dimensões entre 0,1 e 0,001 um de diâmetro. Devido a choques com moléculas de água e à própria repulsão provocada por cargas elétricas idênticas, adquirem movimento desordenado, dando estabilidade ao colóide onde estão contidas.
Ciclose
A ciclose é um movimento do hialoplasma, principalmente em estado de sol, de maneira a formar uma corrente que carrega os diversos orgânulos e a distribuir substâncias ao longo do citoplasma. Nesse movimento, são arrastados os cloroplatos para um local de maior intensidade luminosa da célula. A ciclose pode ser bem observada no endoplasma de muitas células vegetais.
Efeito Tyndall
Fazendo-se passar um feixe de luz através do hialoplasma, com a ajuda de um microscópio eletrônico, pode-se observar um desvio dos raios da luz (difração), devido ao batimento dos raios nas partículas de micelas que apresentam movimento desordenado.
Cílios e Flagelos
Cílios e flagelos são estruturas móveis encontradas tanto em unicelulares como em organismos mais complexos (homem). Os cílios são, geralmente, curtos e numerosos; os flagelos, longos, existindo apenas um ou poucos em cada célula. Essas formações vibráteis têm um papel fundamental: permitir a locomoção da célula ou do organismo no meio líquido.
Exemplos: protozoários e larvas de invertebrados movimentam-se através de cílios; espermatozóides, algas unicelulares e alguns protozoários locomovem-se por flagelos.
Proteção
Em determinados órgãos, como a traquéia de mamíferos, existe um epitélio ciliado lubrificado por muco, que é empurrado para a garganta pelos cílios. O muco tem um papel protetor, já que muitas impurezas do ar inspirado ficam aderidas a ele. O batimento ciliar permite, então, aremoção do muco e, com ele, as partículas estranhas.
O uso do cigarro inibe a ação dos cílios do epitélio traqueal, dificultando, assim, a remoção das impurezas do ar.
Estrutura de cílios e flagelados
Em função de sua origem em centríolosos, tais orgânulos apresentam, em certa extensão do seu eixo central, nove conjuntos de trincas de microtúbulos protéicos. Mais adiante, ao longo de seu trajeto, apresenta nove conjuntos de duplos microtúbulos, como um par central.
Na base do cílio ou flagelo, encontra-se a organela que lhes dá origem, denominada corpo basal ou cinetossomo (antigo centríolo)