sexta-feira, 2 de março de 2012

Vírus do herpes simples ativa resposta imune em vez de bloqueá-la, diz estudo

Madri, 1 mar (EFE).- O herpes simples não apenas não bloqueia as defesas do organismo como ativa a resposta imune, segundo estudo internacional liderado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha.
Para os autores da pesquisa, publicada na revista "PLoS Pathogens", as conclusões do estudo são "totalmente inesperadas", já que até agora os cientistas pensavam que o herpes simples atacava o corpo humano, bloqueando as defesas.
O vírus "herpes simples" (HSV, na sigla em inglês) é um dos que mais predominam em humanos e causa doenças que vão de tumores labiais e genitais a encefalites e até mesmo a cegueira.
Conforme o trabalho, um componente do vírus herpes simples, a glicoproteína G, é capaz de potencializar a função de proteínas conhecidas como quimiocinas, que regulam a migração para a infecção dos leucócitos, células encarregadas de defender o corpo humano dos patógenos.
Os resultados questionam os modelos atuais e indicam que "ainda há muito que estudar sobre a modulação do sistema imune aos vírus e as funções desse sistema", afirmou Abel Viejo, primeiro autor do artigo e pesquisador do CSIC no Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa. EFE Fonte: Yahoo notícias saúde

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Tiranossauro rex possuía a mordida mais potente entre todos os animais

Londres, 29 fev (EFE).- Entre todos os animais que caminharam alguma ve
z sobre a Terra, o tiranossauro rex é o que possuía a mordida mais potente, segundo um estudo publicado nesta terça-feira pela revista "Biology Letters", da Royal Society de Londres.
A força da mandíbula do dinossauro dividiu durante anos a comunidade científica, até o ponto de alguns especialistas defenderem que a mordida do tiranoussauro rex era tão fraca que o animal devia limitar-se a comer os restos de presas mortas.
Uma simulação por computador determinou, no entanto, que o tiranosssauro rex, que viveu há 65 milhões de anos, podia exercer uma força com sua mandíbula de entre 20 mil e 57 mil newtons, até quatro vezes maior que o animal vivo com a mordida mais potente, a águia americana.
O estudo, desenvolvido por uma equipe da Universidade de Liverpool, sugere que esse dinossauro, que podia alcançar 12 metros de comprimento e quatro de altura, era capaz de caçar grandes animais para alimentar-se e partir os ossos de suas presas com os dentes.
Os músculos da mandíbula dos dinossauros não se conservam entre os restos fósseis com os quais trabalham os cientistas, por isso os responsáveis da pesquisa avaliaram diferentes modelos possíveis de tecido muscular para calcular a força exercida pela mandíbula de um tiranossauro.
Mesmo nos modelos nos quais os músculos eram mais fracos, a simulação por computador determinou que a potência da mandíbula do dinossauro era duas vezes maior do que se imaginava até agora.
"O poder da mandíbula do tiranossauro rex foi um tema muito debatido durante anos. Os cientistas contam apenas com seu esqueleto, já que os músculos não se fossilizam, portanto em muitas ocasiões temos que confiar em análises estatísticas ou em comparações qualitativas com animais vivos", explicou o responsável pelo estudo, Karl Bates.
Para contextualizar seus resultados, a equipe de Bates calculou a força exercida por uma mandíbula humana e de uma águia se tivessem o tamanho da de um tiranossauro.
Em ambos casos, a potência era maior em relação a uma mandíbula de tamanho natural, apesar do "enigmático dinossauro gigante" continuar possuindo a mordida mais poderosa.
"Nossos resultados mostram que o rex tinha uma mordida extremamente potente. É um dos predadores mais perigosos que habitaram nosso planeta, e seu esqueleto e seu sistema muscular continuarão fascinando os cientistas durante anos", concluiu Bates. EFE
Fonte: Yhaoo  Noticias Sáude

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Destruição da base na Antártida é uma grande perda científica para Brasil

  • Foto da Marinha chilena mostra equipes tentando conter o incêndio na base brasil …
A destruição total da base Comandante Ferraz na Antártida no incêndio que matou dois militares representa uma grande perda no campo da pesquisa biológica para o Brasil, afirmam os especialistas.
A Marinha avaliou neste domingo que "aproximadamente 70% da estação foi destruída pelas chamas".
"Todo o núcleo central, onde estavam concentrados os alojamentos e alguns laboratórios, foi completamente destruído pelo incêndio. Permaneceram intactos os refúgios de emergência, laboratórios de meteorologia, química e estudo da alta atmosfera, os tanques de combustível e o heliporto".
Um avião da Força Aérea deve repatriar os evacuados da base - 32 civis, 12 oficiais da Marinha, um alpinista e um representante do Ministério do Meio Ambiente - de Punta Arenas, no sul do Chile, para o Brasil, informou o governo.
A Agência Brasil indicou que o avião pousará numa base aérea na periferia do Rio de Janeiro no final deste domingo ou início de segunda-feira. Consultados pela AFP, a Marinha e a Secretaria da Comissão Interministerial de Recursos do Mar não quiseram dar a hora ou o local exato da chegada.
Especialistas brasileiros estudam as consequências dos danos depois do incêndio de sábado, que começou numa área que abrigava os geradores elétricos da base Comandante Ferraz, localizada na baía de Almirantazgo, na ilha Rey Jorge, perto da ponta da península Antártica.
A base, foi estabelecida em 1984, tinha 2.600 m2 de área construída e realizava pesquisas científicas centradas nos ecossistemas costeiros e marinhos. O complexo contava com laboratórios, oficinas, estacionamentos para veículos e embarcações, lancha oceanográfica, heliporto, biblioteca, ginásio e panificadora, entre outros.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou que os cientistas da base realizavam estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na Antártida e seu impacto no planeta, além de pesquisas sobre a vida marinha e a atmosfera.
"Perdemos muito mais que material, perdemos vidas. Perdi toda minha pesquisa, e era uma das mais baratas. Foram perdidas algumas pesquisas de milhões de reais", afirmou ao site do jornal O Estado de São Paulo um dos sobreviventes, o biofísico João Paulo Machado Torres, de 46 anos, contatado por telefone em Punta Arenas.
"Poucas pessoas conseguiram salvar alguma coisa. Só recuperei meu computador porque consegui chegar à biblioteca, mas não fui até o camarote, era muito arriscado", contou.
"Deixaram tudo para trás, documentos, pesquisas, equipamentos. É uma perda irreparável (...) Estamos consternados, parece que não restou nada", afirmou Yocie Yoneshigue Valentin, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártida da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Estamos fazendo estudos científicos de ponta na Antártida, estudos com importantes implicações para o clima no Brasil, os recursos pesqueiros e a biodiversidade", afirmou a bióloga Lucia Siqueira Campos, membro do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas, ao jornal O Globo.
O continente desempenha um papel crucial na regulação do clima e circulação oceânica na América do Sul.
Além da perda de equipamento muito valioso e toda a informação coletada desde dezembro, o fogo deixa dezenas de grupos de estudo brasileiros sem uma base fixa na região, segundo os especialistas.
A Antártida abriga sob sua camada gelada continental enormes recursos minerais e os mares circundantes estão repletos de recursos biológicos.
As geleiras da Antártida contêm 90% da água fresca do mundo.
O crescente valor estratégico da região explica por que cerca de 30 países, todos signatários do Tratado Antártico, operam estações durante todo o ano ou no versão no continente.
O tratado, que entrou em vigor em 1961 e atualmente tem 49 Estados-membros, estabelece a Antártida como um território cujo objetivo é estritamente científico, garante a liberdade para a pesquisa e proíbe a atividade militar.
A presidente Dilma Rousseff prometeu que a base Comandante Ferraz será reconstruída e Amorim garantiu que os planos para isso terão início na segunda-feira Fonte: Yahoo Notícias Saude

Calendário de imunização infantil terá mais duas vacinas a partir do segundo semestre


A partir do segundo semestre, mais duas vacinas farão parte do calendário de imunização das crianças. As novidades são a inclusão da vacina injetável contra a paralisia infantil e a pentavalente, que imunizará contra cinco doenças e substituirá a tetravalente.

A entrada no calendário de imunização da vacina injetável contra paralisia infantil não vai implicar a retirada da dose em gotinhas da lista. A diferença entre as duas é que a vacina injetável usa o vírus morto e, a segunda, o vírus vivo atenuado (mais fraco).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a vacina injetável diminui os riscos da criança sofrer eventos adversos após a vacinação, como uma paralisia infantil pós-vacinal. O efeito é raro, mas passível de acontecer. Em 2011, foram detectados dois casos suspeitos de paralisia infantil pós-vacinal no país. A vacina injetável tem maior eficácia nas primeiras doses em comparação à oral.

Segundo o ministro, a vantagem da vacina oral é proteger um grande número de crianças, mesmo quem não foi imunizado. “A vacina oral causa um efeito rebanho. Mesmo as crianças não vacinadas, são protegidas quando vacinamos várias crianças. A oral é eliminada nas fezes da criança e, nos locais onde há pouco saneamento básico, causa um efeito de proteção no ambiente”, explica o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. A injetável será aplicada nos bebês com 2 e 4 meses de idade e, a oral, no reforço aos 6 e 15 meses.

Com a vacina antipólio injetável, o campanha contra a paralisia infantil em 2012 muda. Em vez de duas mobilizações nacionais contra a doença, na primeira etapa da campanha, prevista para 16 de junho, as crianças com menos de 5 anos de idade vão tomar a vacina oral, independentemente de terem sido vacinadas antes. Já na segunda fase, em agosto, os pais devem levar os filhos para tomar outras vacinas que estiverem atrasadas. Quem tiver perdido o cartão, pode procurar o posto, mesmo sem o documento, para atualizar as vacinas.

A injetável tem sido adotada em países sem registro de casos de pólio. O Brasil não tem caso da doença há mais de 20 anos. No entanto, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) recomenda que as nações mantenham a vacinação oral até que a pólio seja eliminada em todo o mundo. Em pelo menos 25 países, o vírus continua a circular e a doença é considerada endêmica.

Já com a inclusão da vacina pentavalente, o objetivo é imunizar a criança contra cinco doenças em uma única dose: difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenza tipo B e hepatite B. Os pequenos serão vacinados aos 2, 4 e 6 meses de idade. Atualmente, as crianças tomam a tetravalente, contra quatro doenças, e também a vacina contra a hepatite B.

Será mantido o reforço de difteria, tétano e coqueluche, sendo o primeiro a partir do primeiro ano de vida e o segundo, entre 4 e 6 anos de idade. O récem-nascidos devem continuar recebendo a primeiro dose da vacina contra hepatite B nas primeiras 12 horas de vida para evitar a transmissão vertical da doença, de mãe para filho. Fonte: Yahoo Notícias

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fumo está relacionado com deterioração mental nos homens, diz estudo

 

  • Romeno fuma cigarro em um bar de Bucareste, em 21 de junho de 2011
    Romeno fuma cigarro em um bar de Bucareste, em 21 de junho de 2011
Os homens tabagistas têm maior deterioração mental com o passar do tempo do que aqueles que nunca fumaram, segundo um estudo britânico publicado na segunda-feira nos Estados Unidos, que advertiu, no entanto, que a mesma relação causa-efeito não se observou nas mulheres.
A investigação sugere que os efeitos do hábito de fumar a longo prazo se manifestam em perda de memória e incapacidade para vincular a experiência passada com as ações do presente, assim como uma queda nas habilidades cognitivas gerais.
O estudo, publicado na revista especializada Archives of General Psychiatry, acompanhou através do serviço civil britânico mais de 5.000 homens e 2.100 mulheres com idade média de 56 anos no começo do estudo e foram acompanhados no máximo por 25 anos.
Os cientistas da University College de Londres comprovaram sua condição de fumantes seis vezes neste período e os submeteram a uma série de provas cognitivas.
Eles descobriram que o tabagismo esteve vinculado a uma redução mais rápida na capacidade mental em todos os testes cognitivos entre homens que fumavam em comparação com os homens não fumantes.
"Nossos resultados mostram que a associação entre tabagismo e cognição, sobretudo em idades mais avançadas, parece estar subestimado devido ao risco maior de morte e abandono entre os fumantes", destacou o estudo, chefiado por Severine Sabia, do University College de Londres.
Os homens que pararam de fumar nos primeiros 10 anos após iniciado o estudo estavam ainda em maior risco de deterioração cognitiva, mas a longo prazo os ex-fumantes não mostraram os mesmos níveis de deterioração.
"Este estudo põe em manifesto que fumar é nocivo para o cérebro", afirmou Marc Gordon, chefe de neurologia do hospital Zucker Hillside em Glen Oaks, Nova York, que não participou do estudo.
"Na metade da vida, fumar é um fator de risco modificável, com um efeito mais ou menos equivalente a 10 anos de envelhecimento na taxa de deterioração cognitiva", acrescentou.
As descobertas são chave para explicar o envelhecimento da população mundial, com 36 milhões de casos de demência em todo o planeta, uma cifra que dobrará a cada 20 anos, segundo as projeções, afirmaram os autores do estudo.
O porquê as mulheres não mostraram a mesma relação entre tabagismo e envelhecimento mental não ficou claro, embora os pesquisadores tenham sugerido que o menor tamanho da amostra e a maior quantidade de cigarros fumados pelos homens em comparação com as mulheres poderiam ser fatores contribuintes. Fonte: Yhaoo Notícias saúde

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

'Relógio biológico' tem ligação com ataques cardíacos

  • Pesquisadores afirmaram ter descoberto a primeira ligação molecular entre este risco e o ritmo circadiano
    Pesquisadores afirmaram ter descoberto a primeira ligação molecular entre este risco …
Cientistas afirmaram na quarta-feira que descobriram a primeira prova molecular de que o "relógio biológico" está ligado a um tipo súbito e fatal de ataque cardíaco.
Arritmia ventricular ou batimentos cardíacos anormais ocorrem com mais frequência pela manhã após acordar - e também, em menor escala, no fim da tarde - e causam um maior número de mortes.
Em informações publicadas na revista Nature, pesquisadores dos Estados Unidos afirmaram ter descoberto a primeira ligação molecular entre este risco e o ritmo circadiano, que aponta a variação dos processos biológicos de acordo com um período de 24 horas.
Os dados apontam esta ligação com os níveis de uma proteína chamada Klf15, informaram.
Pesquisas anteriores descobriram que a Klf15 era uma controladora do ritmo circadiano - e, surpreendentemente -, ela não está presente em alguns pacientes com problemas cardíacos.
O grupo criou camundongos que foram manipulados geneticamente para sofrer com a falta de Klf15 ou produzir esta proteína em excesso.
Nos dois casos, os roedores sofreram um risco muito maior de arritmias se comparados a seus pares.
"É o primeiro exemplo de um mecanismo molecular que provoca a mudança do ritmo circadiano relacionado à possibilidade de ocorrerem arritmias cardíacas", disse Xander Wehrens, do Baylor College School of Medicine em Houston, Texas.
"Se houvesse muita Klf15 ou nenhuma, os camundongos estavam em risco de desenvolver a arritmia".
A Klf15 é apenas um passo em uma complexa cascata molecular, acreditam os pesquisadores.
Ela controla outra proteína, a KChIP2, que afeta a corrente elétrica gerada pelo potássio que se dirige às células musculares do coração, chamada de miócitos cardíacos.
Quando os níveis de KChIP2 flutuam, isto causa instabilidades elétricas nos miócitos.
Como resultado, as ações do músculo cardíaco ficam comprometidas e este demora mais tempo (ou, inversamente, menos tempo) para esvaziar o ventrículo - a câmara de bombeamento do coração. O coração perde a regularidade dos batimentos e se esforça para bombear o sangue de forma eficiente.
O coautor da pesquisa Mukesh Jain, da escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Ohio, afirma que mais estudos podem ajudar a descobrir outras causas relacionadas ao ritmo circadiano.
A descoberta abre espaço para caminhos intrigantes de pesquisa, na identificação de indivíduos em risco de morte noturna e na escolha de medicamentos para protegê-los, disse Jain. Fonte: yahoo notícias saúde

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Proibido em países ricos, amianto ameaça população de nações em desenvolvimento

Dunkerque (França), manifestação nacional da associação de defesa de vítimas do amianto
O amianto, um produto prejudicial à saúde, tem coberto com seu manto invisível a vida dos países desenvolvidos. Proibido nessa região do planeta, embora não extinto, atualmente ameaça a população dos países mais pobres. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de amianto.
Desde o começo do século passado, o amianto se tornou o principal material da maior parte das construções. O material é um grupo de minerais fibrosos, compostos de silicatos, caracterizado por suas fibras longas e resistentes, que podem se separar, apresentando a particularidade de poder ser entrelaçadas solidamente e resistir a altas temperaturas.No começo do século 20 se inventou um procedimento pelo qual, misturado com o cimento, dava lugar ao amianto cimento ou fibrocimento, utilizado especialmente nos encanamentos de água potável, telhas onduladas e – como é um produto ignífugo, que resiste muito bem ao calor – para recobrir elementos que precisam ficar expostos ao calor.
No trabalho, no lar e até no ar
Francisco Puche, membro da organização Ecologistas em Ação, editor, escritor, que faz parte da Federação Nacional de Vítimas do Amianto, explica que "já existiram até três mil produtos de diferentes tamanhos e condições que continham amianto, como por exemplo torradeiras, filtros de cigarros, filtros de água e encanamentos, pinturas impermeabilizantes, pastilhas e sapatas de freio, pavimentos”.

“Além disso, como era muito flexível, podia ser usado como tecido em cobertores ou tecidos isolantes, assim como na indústria naval. Estava em todas as partes, de modo que houve uma espécie de contaminação geral de fibras de amianto no ambiente", continua.

Mina Jeffrey em Asbestos, Québec (Canadá), que opera desde o final do século 19 e se dedica ao amianto branco.

Devido a essa variedade de usos, a exposição ao amianto atualmente pode ser ocupacional, doméstica ou ambiental. Em um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), no ano de 2006, se estimava em cem mil o número de pessoas que morrem por ano no mundo como consequência da exposição ao amianto.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), em um relatório realizado em 2010, assegurava que no mundo há cerca de 125 milhões de pessoas expostas ao amianto no local de trabalho e, segundo cálculos desta organização, a exposição laboral causa mais de 107 mil mortes anuais por causa de câncer de pulmão relacionadas com esse material.

Além disso, afirmava o relatório, um terço das mortes por causa de câncer de origem laboral são causadas pelo amianto.
O produto industrial mais mortal da história
Para Puche, o amianto é "talvez o produto industrial que mais mortes vai causar na história da humanidade, mais do que o tabaco, porque vem sendo usado há muito tempo e porque também é muito difundido".
Cerca de 70% das pessoas que estão expostas no trabalho caem doentes, mas também faz adoecer 30% dos que não estão assim expostos, ou seja, as pessoas que vivem perto de fábricas ou que são parentes dos próprios trabalhadores.
O amianto em sua elaboração industrial se esmiúça em fibras muito pequenas. Da ordem de uma milionésima parte de um metro, que passam a ser fibras invisíveis e indestrutíveis, "em grande parte porque são muito resistentes aos ácidos e ao fogo, portanto permanecem quase mais tempo que a energia nuclear e está em todas as partes, no ar, na água e, portanto, nos alimentos", explica o ecologista.
Puche assinala que "as primeiras informações sobre os males do amianto para a saúde remontam ao ano de 1898. Depois, ao longo dos primeiros 50 anos do século 20, foram feitos estudos científicos cada vez mais sérios onde se foi demonstrando a toxicidade deste mineral. O problema é que houve muito tempo de latência entre a exposição e a morte ou surgimento da doença, e por outro lado a fibra é invisível, não se vê nem tem cheiro".
Mas, além disso, Puche lamenta que tenha havido "uma grande conspiração do silêncio porque era um material muito rentável, muito flexível, servia para muitas coisas e não interessava de nada para as empresas que se descobrisse sua toxicidade. Somente no começo da década de 90, e sobretudo a partir de 2000, que se começou a proibir o produto nos países desenvolvidos. De fato, atualmente é proibido em 55 países".
Países em desenvolvimento
O que a princípio foi um fenômeno nos países desenvolvidos, atualmente a construção com este material barato emerge nos países em desenvolvimento, com a consequente incidência futura que terá sobre a saúde de suas populações.
"No século 20, até a década de 1990, os países mais afetados eram os Estados Unidos e os da Europa, ou seja, onde mais se consumia amianto. Agora, como lá é proibido, os países mais afetados são Rússia, China, Índia e alguns da África. Na América Latina, a metade de seus países também foi muito afetada, mas já começa a haver um processo de proibição que começou na Argentina, Chile e parte do Brasil".
O Brasil um dos maiores produtores mundiais de amianto. Segundo a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), o mineral é utilizado em quase 3 mil produtos industriais, como telhas e caixas d'água. O baixo custo do produto e sua alta resistência favorecem o consumo.
Outra das arbitrariedades que se cometem, diz o ecologista e escritor, é que "países onde seu uso é proibido, como no Canadá, o amianto é extraído mas não consumido, sendo exportado para outros para que o transformem. São empresas instaladas em países com o amianto regulamentado, mas com interesses econômicos em outras empresas localizadas em países onde ele não está".
"Há muita cumplicidade entre os países desenvolvidos onde se encontra um tremendo problema na hora de eliminar o amianto", adverte Puche.
"Costuma-se assegurar que o amianto não prejudica mais a saúde, mas isso não é verdade, porque constantemente ele está sendo quebrado ou manipulado e, como por cada 12 milímetros de largura de uma placa pode sair um milhão de fibras que podem ser inaladas, se torna um enorme risco cancerígeno. Há gente que com uma dose muito pequena pode contrair câncer de pulmão depois de 30 ou 40 anos. Esse é o problema", acrescenta o especialista.
Também, uma das atuações de muito duvidosa moralidade é a que explica o ecologista que está acontecendo em alguns países onde "os navios que foram construídos há mais de dez anos estão cheios de amianto e, na hora de seu desmantelamento, são enviados aos países asiáticos pobres. Ali, as pessoas, por três dólares ao dia, se dedicam a tirar o amianto sem nenhum tipo de proteção e é gente muito jovem, por isso que o número de mortes que haverá dentro de 30 ou 40 anos vai ser imenso".
E para pôr fim a este grave problema de saúde pública ao qual a população está exposta, Puche diz: "Há lugares muito sensíveis porque há crianças, idosos e doentes onde existe o amianto. Portanto, uma das coisas que nós pedimos é que se faça um registro dos lugares e prédios sensíveis. A partir daí, realizar um programa para desamiantar, começando pelo mais urgente, e dedicar um orçamento em nível governamental. Fonte: yahoo notícias saúde